Outro dia um amigo perguntou qual tinha sido o nosso maior desafio. Como a maioria, tivemos desafios de grana, de procrastinação, de atritos com pessoas e entre nós, de enganos, de escolhas erradas que deram ruim, essas coisas das quais só uma minúscula microscópica minoria escapa – tipo umas 12 pessoas no planeta.

Maaas bora pro ponto: hoje a gente olha pra trás e percebe o que exatamente estava na base disso tudo. Tcharam! Ele, o Piloto Automático, o inimigo número 1 de cada pessoa e da humanidade, responsável por replicar padrões subconscientes (bons ou ruins) que acabam guiando nossos passos sem a gente se dar conta. E isso não tem nada a ver com ser inteligente ou não, porque o Piloto Automático navega nos rios subterrâneos da consciência e é de lá que ele nos comanda. Eu sei que ao ler isso você deve ter entrado em estado de E.A. – que é a sigla para Estupefação Aguda, rsrs!

Em termos individuais, o Piloto Automático literalmente automatiza nossa maneira de pensar, de agir, de reagir e de sentir, interferindo até nas nossas escolhas – pasme-se! – de sapatos até amores. É uma espécie de prisão interna com grades que não conseguimos ver. Em termos de humanidade, o estrago pode ser tão amplo como o hábito de guerrear (pra ficar só numa das m… coletivas que o Piloto Automático produz).

Mas o Piloto Automático não é de todo catastrófico, justiça seja feita. Ele é uma estratégia usada pelo cérebro pra economizar energia mental em atividades cotidianas: dirigir, beber água, andar, apertar botões, tocar um instrumento etc. Se não fosse isso teríamos que parar pra pensar toda vez que apertássemos o mesmo botão ou ligar o GPS todos os dias pra ir ou voltar do trabalho. Nem mesmo aquele solinho maneiro de violão rolaria sem ter que pensar em quais cordas tocar e em que ordem. Em resumo, viver seria o uó, daria muito mais trabalho!

Voltando ao Piloto Automático que produz automatismos: a gente faz, pensa, reage, escolhe, diz algo que não queria… e daí se arrepende. Daí promete que nunca mais fará, pensará, reagirá, escolherá ou dirá algo tão nada-a-ver. Dali a um tempo, pimba: quando nos damos conta fizemos, pensamos, reagimos, escolhemos ou dissemos, de novo, o que juramos nunca mais.

faz promessa (pra si mesmo ou pra alguém), tenta se controlar, se vigiar, e PQP: escapou mais uma vez! E de novo… de novo… de novo… Conhece esses replays? Por conta deles é que acabamos iniciando essa jornada de autoconhecimento que acabou virando nosso trabalho. Males que vem pro bem.

E de coração a gente te diz: tentar se controlar cansa e não funciona porque o Piloto Automático é mais forte do que nossa mente consciente. Em 2012, um grupo de especialistas das universidades de Oxford, Montreal, Columbia e Londres concluiu que 95% do que fazemos é comandado pelo inconsciente, incluindo coisas simples como escovar os dentes. Em outras palavras, só 5% dos nossos atos são conscientes. É mole?!

Então pare de tentar controlar o incontrolável. Existem formas mais suaves, eficientes e relativamente rápidas de acordar de certos automatismos sem ficar se debatendo nas próprias paredes e sem se machucar tanto (ou aos outros), feito disco arranhado.

Em síntese: expandir a autoconsciência.

E acabo de lembrar daquela famosa frase bíblica: “Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”.

Confira os sinais e veja se você está no modo disco arranhado:

Eu estou no Piloto Automático quando…

… me comporto do mesmo jeito em certas situações, sem parar pra pensar se existe um jeito mais maduro ou positivo de agir.

… chego sempre a conclusões negativas sobre mim ou sobre a vida e deixo que elas me arrastem pro fundo do poço sem questioná-las.

… invento mil desculpas pra me adiar, fazendo um monte de coisas mas nunca o principal, onde eu sei que preciso mexer.

… mudo de ideia toda vez que a maioria dos meus familiares ou amigos discorda de mim e adoto o ponto de vista deles.

… critico as pessoas que fazem diferente e as chamo de loucas, irresponsáveis, sonhadoras ou iludidas.

Se você identificou esses sinais na sua vida, fique feliz porque você está um passo à frente da maioria que nem sabe disso ainda.