Antes de respondermos a essa pergunta, responda: você acha que tá infeliz no amor porque ele não te entende, ela não te escuta?

Não é só você, não! Olhe em volta: tem gente chorando de raiva ou medo – tem muita gente em silêncio, muita gente mesmo, remoendo culpas e mágoas. Tem outros tantos naquela pose de frieza calculada, só pra esconder a insegurança. E tem quem fique na manipulação, na chantagem, na cobrança, pra evitar a rejeição, o ciúme, a solidão a um ou a dois.

Essa é a vida que você queria viver? Era esse o plano?

Algo deu errado e a receita do bolo dos noivos desandou?

Não…

É que a receita da convivência com a gente mesmo e com os outros é muuuito bizarra e todo mundo copia essa receita há gerações, sem perceber o que tá fazendo e no que vai dar.

É como misturar melancia com patê, mais 5 kg de farinha, 1 colher de água, 30 kg de açúcar, rechear com chocolate e peixe, cobrindo tudo com gosma de quiabo – e esperar que dessa gororoba saia um bolo delicioso. Ó, que droga! rsrs.

Olha alguns ingredientes dessa receita azeda de amor que usamos diariamente sem questionar os resultados:

  • O primeiro ingrediente são as expectativas. Eu espero que a pessoa caiba no meu quadrado e seja exatamente como imagino que ela deva ser – se é minha cara-metade, ué, né? E se a minha metade não age como deveria?! Ah, que decepção! Me magoo, me frustro e me revolto! Nem passa pela minha cabeça conhecer melhor a pessoa em vez de imaginá-la…
  • Depois entra o ingrediente “a culpa é sua!” Você tinha obrigação de atender as m-i-n-h-a-s necessidades, aplacar o m-e-u ciúme infundado, satisfazer as m-i-n-h-a-s carências e exigências, compreender as m-i-n-h-a-s fraquezas, me perdoar incondicionalmente e dedicar sua vida pra me fazer feliz.
  • E durante qualquer desentendimento porque alguma das coisas acima não foi como d-e-v-e-r-i-a, o próximo ingrediente é brigar pra provar que eu tenho razão. Ou fazer chantagem emocional.

Responda com a honestidade do seu eu mais bonito: tem algum elemento de amor nessa receita? Será que é assim, a fórceps, que a gente traz o amor pros nossos dias?

Ou o que anda sendo chamado pelo nome de amor é muito parecido com posse, egoísmo, orgulho, competição, submissão? Uma salada de incoerências que acaba por machucar a nós mesmos…

E tudo que a gente queria é amar e ser amado.

Então, de onde vem essa distorção? Por que é que a gente tá fazendo tudo ao contrário, sem querer, e se sentindo cada vez mais angustiado e sem saída?

1) Porque aceitamos, sem questionar, essas ideias caricatas sobre o que o amor deve ser.

2) Porque sem amor-próprio (que nada tem a ver com vaidade, orgulho ou egoísmo) não tem como saber amar de verdade ou se deixar amar também de verdade.

3) Porque estamos conectados com o mundo mas totalmente offline de nós mesmos.

– Tá, entendi – você pode pensar agora. – Sei que essas ideias são tortas e egoístas, já gastei meus olhos e ouvidos lendo e ouvindo coisas sobre amor-próprio e sobre essa tal conexão comigo mesmo, mas… na prática como é que eu chego nesse meu melhor?

A primeira coisa legal de entender é que você não chega no seu melhor eu porque ele já está aí agora. Não é preciso trabalho, esforço ou dedicação para construir ou atingir esse melhor eu – o esforço e a dedicação são pra tirar o entulho que o recobre.

De que é feito esse entulho?

De um círculo vicioso: quanto mais me ausento de mim, mais exijo dos outros a aprovação que não sei me dar, o colo que não consigo me dar, a motivação que não me dou, o amor que não sinto por mim. E quanto mais dependo dos outros pra receber tudo isso que eu deveria me dar, mais me ausento de mim e mais cobrarei da pessoa que estiver comigo…

Agora inverta o ciclo: quanto mais eu pratico a autorresponsabilidade de gerar essas sensações boas dentro de mim, menos dependo dos outros pra ficar legal – e maiores serão as chances de me relacionar gostoso, com reciprocidade e parceria, com pessoas que também estão plenas e querem compartilhar essa inteireza.

Eis por que toda relação feliz (ou infeliz) começa em mim.

Estamos aqui pra ajudar você nesse processo.